O escritor

Por ter nascido no interior de Minas, Lavras, e ter vivido uma infância entre rural e urbana, desenvolvi um olhar assunteiro e metaforioso. Por isso, sempre tive facilidade em imitar bichos e pessoas do meu convívio. Curioso nato buscava explicar o que não sabia assemelhando ao que conhecia. Talvez seja o motivo de me expressar constantemente por meio de metáforas e, quando inspirado, complementando com neologismos. Neologismo é mais que acasalar palavras. Neologismo é parir o temporão nascido do dicionário com o escritor.

Dedicado ao parturiamento gramatical, li alguns livros do maior neologista do Brasil, quiçá do mundo, Guimarães Rosa. Sempre fiel à sabência caipira, garrei admiração por um poeta apreciador da finoridade do matuto. O paraibano Jessier Quirino é arquiteto engenhoso que abandonou os cálculos estruturais e se dedica às métricas existenciais.

Curioso quanto ao universo feminino, ainda menino lia, escondido, as fórmulas e segredos delas que estampavam as Cláudias que minha mãe assinava. O mesmo era feito com as Caprichos de minha irmã. Na adolescência e ainda hoje, e sempre, a prática, noivada com o assuntamento, é que orna a leitura do universo feminino, masculino e relacionamental. Incomodado com a cruzada entre mulheres x homens a respeito de dois apps que os julgam, resolvi escrever uma crônica no Facebook. Devido à repercussão, curtidas, comentários, compartilhamentos de amigos e alheios, tomei gosto pelo assunto. Até então, apenas escrevia críticas cinematográficas em um blog.

Após o esporro paterno de um amigo fiel, decidimos que ele iria fazer  meu site, para que pudesse publicar minhas crônicas e críticas. Como tudo que se faz está intrínseco às comparações, descobri Xico Sá e Carpinejar.

Creio que todo escritor é um Quentin Tarantino. Somos enciclopédios e referencialistas. Sempre que escrevo, introjeto dizeres e ciências que ouvi, vivi e li. É como diz Mario Sergio Cortella: “inovação é dar vitalidade ao antigo”.