Chuva

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Quando chove me dá vontade de ser telhado.

De ser molhado, lavado e escorrido.

Não gosto de calhas.

As acho canalhas.

Elas têm mania de manilha.

Escondem e nos impedem de ver o desaguar.

Já as correntes que se amorcegam das cumeeiras…

Essas sim têm dignidade.

Elas sabem apreciar o chorar da chuva.

Apreciam a estalactização da água.

O encanto da chuva é semelhante ao do vento, ambos são independentes.

Vem, nos flerta, nos roça a nuca e se esvai.

Entretanto, o vento é fugaz, incompleto.

A chuva muitas vezes sucede o vento.

Ela é maldosa, saudosa e provocativa.

Porque depois que passa, o molhado fica.

E, muitas vezes, o resfriado também.

Diferente do vento, a chuva não é apenas sentida, é palpável.

Tem gosto, cheiro e brilho.